No início da noite dessa sexta-feira, 10 de abril de 2015, por volta das 17:h 30min, um carro gol 4 portal, conduzido por Cal de Manoel Leão da Fazenda Várzea Dantas, caiu dentro de um Tanque que fica próximo ao povoado de Manguinhas, município de Mairi.
Mesmo o carro caindo com as rodas pra cima, nem o motorista Cal e, o passageiro sofreram ferimentos e passam bem. Pessoas que passaram pelo local ajudaram Cal e o passageiro a sair do veiculo. Fonte: Mairi News
A Câmara de Vereadores de Feira de Santana, no Portal do Sertão, aprovou nesta segunda-feira (6) um projeto que proíbe o uso do "pau de selfie" em grandes eventos na cidade. Segundo o autor da iniciativa, vereador Edvaldo Lima (PP), o uso indevido do acessório será fiscalizado já na micareta da cidade, que ocorre entre 23 e 26 de abril. "A proposta já está avalizada e só depende agora do Município", disse Edvaldo Lima em entrevista ao BN. O edil feirense afirmou que a fiscalização será exercida por todo o aparato municipal e estadual, o que compreende desde a guarda municipal às polícias civil e militar. Aprovado por unanimidade na Câmara de Feira, o acessório (denominado “Bastão de Mão Monopod”) não poderá ser usado em espetáculos de grande aglomeração popular e estádios de futebol de Feira de Santana. Edvaldo Lima alegou que o “pau de selfie” pode ser considerado arma em potencial, podendo ser usado em situação de brigas em grandes eventos.As informações são do Bahia Notícias
Dezenas de clientes da agência do Banco do Brasil de Conceição do Jacuipe procuraram a delegacia da cidade para reclamar que tiveram dinheiro retirado de suas contas. A polícia suspeita que foram vítimas de um golpe realizado através de um aparelho chamado ‘chupa-cabra’, que armazena os dados da conta corrente do cliente.
Ainda de acordo com a polícia, recomenda-se que as vítimas procurem a delegacia para prestar queixa. A delegacia já está investigando o fato. O Golpe O aparelho desenvolvido pelo bandido é colocado no local onde se insere o cartão, substituindo o original, nos caixas eletrônicos e máquinas portáteis onde também se passa o cartão. Os dados do cartão são gravados e o golpe é praticado.
De acordo com a polícia, os criminosos costumam aplicar este tipo de golpe nos finais de semana. Porque aos sábados e domingos as agências estão fechadas e somente os caixas eletrônicos ficam à disposição dos clientes.
A dica é observar bem o caixa eletrônico antes de introduzir o cartão para fazer saque ou realizar depósito. Caso suspeite de algum golpe, ligue imediatamente para a polícia pelo número 190. Fonte: Blog Central de Polícia, com informações do Jacuipe Notícias e SSP (fotos/reprodução)
Na noite desta segunda-feira, 06 de abril de 2015, por volta das 21h30min, um jovem sofreu um acidente de moto na Fazenda Casquilho, município de Mairi.
O acidente aconteceu em uma estrada vicinal, entre os povoados do Teobaldo e Uruçú. O jovem estava desacordado, foi socorrido pela equipe do SAMU-192 e encaminhado para o Hospital Deputado Luís Eduardo Magalhães de Mairi.
De acordo com informações de populares, o jovem mora no distrito de Angico e trabalha com Valter Reis. Ele foi identificado como Marcos Santos Silva, de 28 anos, já está em casa e passa bem.
Problema de Claudio já se tornou conhecido inclusive no exterior/ foto: arquivo pessoal.
“Eu não vejo nada de cabeça para baixo, o mundo que está de cabeça para baixo”, explica Claudio Vieira, homem que ao nascer, em 1º de abril de 1976 no município de Monte Santo, na região do Sisal, recebeu o diagnóstico de que teria apenas 24 horas de vida. Hoje, com 39 anos, Claudio irá receber uma visita de pesquisadores da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, que farão um estudo sobre o caso, diagnosticado em 2013 como Artrogripose Múltipla Congênita (AMC) por uma equipe médica de Londres, na Inglaterra.
Audacioso, Cláudio já foi até o Vaticano onde recebeu a benção do Papa João Paulo II./ Foto: arquivo pessoal
O grupo de pesquisadores de Harvard chegou a Monte Santo na tarde de segunda-feira (6) e vão começar os testes com Vieira a partir desta terça-feira (7) até quinta (9). O principal objetivo das pesquisas é entender como Claudio consegue enxergar o mundo de cabeça para cima quando sua cabeça é posicionada para baixo. “Eles querem fazer uma avaliação de como eu enxergo. Devido à posição em que fica a minha cabeça, muita gente acha que eu vejo tudo de cabeça para baixo, mas eu não vejo”, conta.
Claudio também afirmou não se importar com a possibilidade de ser feito de cobaia pela equipe de pesquisadores, pois as pesquisas podem trazer resultados benéficos e ajudar pessoas que passem por uma situação parecida. “O meu caso é um grande mistério. Isso tudo pode desvendar o mistério da minha vida”, espera. O caso de Claudio já alcançou proporções mundiais: ele já deu entrevistas para jornais, rádios e equipes de televisão internacionais como a CBN, Discovery Chanel, The New York Times, além de matérias para um programa televisivo japonês e palestras motivacionais no Brasil e nos Estados Unidos.
Em 2010 Daniel esteve em Monte Santo e recebeu Claudio em seu camarim/Foto: Raimundo Mascarenhas
Há 15 dias, Claudio recebeu uma proposta que traz uma nova esperança. Uma equipe filantrópica de pesquisadores da Filadélfia, nos Estados Unidos, conhecida como Shriners International, entrou em contato com ele e trouxe a possibilidade da realização de uma cirurgia para amenizar seu quadro clínico. Os pesquisadores pediram que Claudio enviasse um raio-X eletrônico para análise. “Eu já enviei, mas para saber se realmente tenho interesse em fazer a cirurgia, preciso ouvi-los antes. Quando conversei com a equipe, deixei claro que não assumi compromisso, e eles também. Não vou fazer alguma coisa assim aleatória, não me interessa de cara”, explica. Segundo ele, essa é a primeira vez que a Shriners International abre espaço para um caso como o de Claudio, já que a equipe é especializada em atender apenas crianças.
Há 14 anos, Claudio recebeu proposta similar de uma equipe de especialistas do Canadá, mas rejeitou por “medo e imaturidade”. “Eles falaram comigo logo direto, dizendo que o caso tinha jeito. Alguém que só me conhece por fotos pode dizer que dá jeito? Eu fiquei com medo, recuei por falta de maturidade e conhecimento”, relata.
Palestras motivacionais de Cláudio é muito emocionante/ Arquivo pessoal.
Atualmente, Claudio Vieira, formado em contabilidade, dá palestras motivacionais. Reveza entre morar na casa da mãe, Maria José, no centro de Monte Santo, e na casa que conseguiu com o apoio do governo, um loteamento do programa federal “Minha Casa Minha Vida”.
Um sargento da Polícia Militar, identificado como Nascimento Pereira da Costa, sofreu um atentado na manhã desta terça-feira (7), na cidade de Teixeira de Freitas, cerca de 800 quilômetros da capital baiana. De acordo com o site Sul Bahia News, o oficial, recentemente aposentado, foi baleado no bairro Urbis enquanto caminhava.
Ainda de acordo com a publicação, a polícia suspeita de assalto, já que Nascimento foi abordado por três homens a bordo de um carro Fiat Uno, na cor branca, e ao perceberem que o oficial estava armado, dispararam sete tiros contra o policial, sendo que quatro atingiram a vítima no peito, nas costas e na cabeça. Nascimento foi encaminhado em estado grave para o Hospital Regional de Teixeira de Freitas e a Polícia Militar já iniciou as buscas pelos suspeitos do crime. O caso será investigado pela Polícia Civil.
Informações levantadas pelo blog Mairi News, alguns comerciantes da cidade, dão conta que a feira-livre de sábado deve ser transferida para outro dia da semana. Essa proposta foi à principal pauta do II Fórum do Comercio de Mairi.
A Feira Livre de Mairi é realizada aos sábados, a hipótese da mesma passar a ser realizada as Sextas-Feiras, surgiu dos comerciantes alegando que: Já existe a feira livre na sexta e que a carga horária dos funcionários é grande e poderá gerar problema trabalhistas, incluindo dessa forma na mudança, uma folga aos comerciários no sábado a tarde onde o comércio poderá fechado.
Essa proposta já havia sido discutida há alguns anos atrás, mas não foi pra frente. Outro fato forte para a mudança da feira-livre ser realizada na sexta-feira é o fechamento aos sábados e domingo da sala de auto-atendimento da agência do Banco do Brasil.
A ideia divide opinião, mas a CDL idealizadora da proposta, se compromete com a realização de ampla discussão e na coleta de apoios através de abaixo-assinado, audiência pública a ser realizada através da Câmara de Vereadores para não haver segmentos prejudicados com esta mudança. Os agricultores e outros trabalhadores poderão compensar a sexta-feira trabalhando no sábado. Fonte: Mairi News
O tema que o Calila Noticias vai abordar é bastante polêmico, não
pela opção sexual de uma pessoa que desde os 12 anos de idade, filho de
pequeno agricultor rural, que optou por viver a vida homossexual, mas
pela decisão de depois de quase trinta anos dedicado aos programas,
baladas, farras, drogas, fama, viagens internacionais, aventuras
amorosas, silicone, plástica, ostentação, convivência com pessoa do
mesmo sexo e etc, de jogar tudo para o alto e buscar nova vida. Vamos falar de Clécio Gomes de Araújo, 39 anos, natural de Conceição
do Coité, precisamente da Fazenda Quixabeira, na região distrito de
Salgadália. Ele aceitou a proposta para uma entrevista ao Calila
Noticias para explicar tudo sobre essa decisão tomada, já que seus
conterrâneos o conheceram ainda muito jovem com a postura homossexual,
que com o passar do tempo ganhou corpo com características femininas,
mas que de um ano para cá é visto nas ruas da cidade e na igreja que
frequenta usando sapato e roupa social, sem os longos cabelos loiros e
principalmente os seios que carregava a base de prótese. Hoje é membro da Igreja Evangélica Tabernáculo de Deus, em Conceição
do Coité, onde garante ter encontrado muito apoio da pastora e dos
“irmãos”. Acompanhe a seguir a entrevista que Clécio Gomes, antes conhecido por “Paulinha” concedeu com exclusividade ao CN. CN – Clécio, inicialmente vamos falar do início de tudo. Como
e quando você descobriu que tinha tendência para o homossexualidade?
Paulinha Lins como era conhecida nas baladas o Clécio Gomes.
CG – A partir do momento que comecei a me entender como pessoa,
ainda por volta dos meus 12 anos, já sentia o desejo por pessoas do
mesmo sexo (homem), às vezes a gente não entende porque um homem tem o
desejo por outro, mulher ter desejo por outra mulher, eu tinha e
confesso que até lutava contra esse desejo, mas não conseguia, pois o
desejo da carne é muito forte, quando a gente não tem uma vida focada
para o lado espiritual, a gente acaba cedendo, e como eu não tinha o
conhecimento da palavra de Deus naquele tempo, ai foi acontecendo, não
foi uma coisa boa, mas a partir do momento que comecei a demonstrar meu
lado feminino, até dentro de minha casa era descriminado, o sofrimento
já começa a partir da infância, da adolescência, só gostava de brincar
de boneca com as meninas, não queria ir trabalhar no motor de sisal,
mesmo assim ia forçado, mas meu desejo era ficar limpado a casa, fazendo
comida, e sempre queria está na companhia de mulher, então quando o
adolescente está muito frequente ao lado de mulheres já puxa pra isso.
Meu pai dizia que eu não era filho dele, porque não tinha filho viado,
sabe as pessoas daquele tempo né, Deus já o levou. Eu tinha aquele
jeito, aquele desejo, mas não queria aquilo pra mim (homossexualismo)
mas quando vem o preconceito da família empurra a gente mais ainda pra
essas coisas, porque as palavras de maldição lançadas de um pai ou de
uma mãe contra um filho, para quem não entende o mundo espiritual é
normal, mas pra quem entende é uma força muito grande para jogar as
pessoas na lama. Como as palavras de benção que Deus abençoa surte
efeito a de maldição também, o diabo já pega e foca naquilo ali. CN – Vivendo na zona rural convivendo com essa situação
narrada, onde parte de sua família não aceitar sua tendência, você
deixou a casa dos seus pais ainda cedo, teve oportunidade de estudar?
Clécio quer uma companheira que não leve em consideração seu passado.
CG – Eu bem que queria estudar, mas não tive a oportunidade e
parei na terceira série, pois tinha que trabalhar para ajudar no
sustento da família, éramos onze irmãos, mas rejeitava também o trabalho
pesado, sofredor, eu queria mesmo era estudar (pausa para limpar
lágrimas) eu tinha uma irmã que morava no centro da cidade de Coité, eu
ia para lá, não queria mais voltar pra roça, pois pensava em ter uma
vida melhor da que os meus pais tiveram, até para poder ajudar eles
mesmos, ai fiquei ajudando minha irmã, nascia sobrinhos filhos dela e eu
ficava ajudando no período de resguardo. Depois de tudo que eu fazia
por ela, o marido me botava pra fora de casa, jogava minha roupa no meio
da rua, me humilhava, tudo isso na idade entre 12 e 13 anos. Voltava
pra roça, só que não me acostumava mais, pegava minha roupa e saia
escondido e ia para beira de estrada para pegar carro para voltar pra
cidade, passei a trabalhar em casas de família somente em troca de prato
de comida, pra ter uma dormida (mais choro). Mesmo assim sem as coisas
darem certo como eu queria permanecer na cidade até que tive a
oportunidade dada pelo casal Ana e Usiel, que me apoiou e fiquei seis
anos com essa família prestando serviço de casa e de lanchonete. Sou
muito grato a eles. CN – Seis anos depois você já mais acostumado na cidade, mais
envolvido com novas amizades e naturalmente nas baladas. Como era ser
homo naquele tempo?
Muito sofrimento. Preconceito muito grande, apanhei muito na rua,
fizeram muita perversidade comigo, atos sexuais forçado, naquele tempo
era muito difícil, hoje a gente encontra pessoas do mesmo sexo se
beijando na praça, naquele tempo andávamos escondidos pelos becos para
não apanhar, a gente tinha que evitar exposição. Posso dizer que eu
servir para abrir as portas do preconceito em Coité, era grande tabu
naquele tempo. Na mesma época conheci um travesti que inclusive é meu
parente, também aqui de Coité, eu o vi, achei bonito, e passei a querer
ficar igual, isso aos 14 anos, ai queria me aproximar dele, pois era
parente mas eu não tinha aproximação, queria me aprofundar no assunto,
querendo saber que tipo de hormônio tomar para crescer os seios, comecei
a tomar e meu corpo começou a se transformar, e na época eu estava
morando na casa de Ana que começou a não gostar, porque realmente para a
família ver uma coisa é difícil, eu entendi, ela foi muito legal
comigo, sou muito grato por tudo que fizeram por mim. CN – Quando você procurou outros horizontes, já que ao tomar
hormônios pensava em expandir e até usar o corpo como forma de ganhar
dinheiro?
Tudo isso que Clécio viveu reconhece que foi passageiro e nada de boas recordações trás consigo. CG – Recebi um convite daquele travesti (parente) para passar o
réveillon de 1999 na casa dele em Salvador, eu estava de férias do meu
emprego (ainda com Ana) ao chegar lá encontrei uma travesti na casa de
Lena, ai me vestir de mulher, meu cabelo já era grande e fui com ela
para a Pituba em Salvador, ai fiquei surpreso, porque o dinheiro que eu
ganhava em um mês eu ganhei em uma noite, ai eu disse agora eu não vou
mais não, abandonei o emprego e imaginei em ganhar muito dinheiro e
fazer a minha vida. Passei a investir mais em meu corpo, já que tudo na
vida é assim, quando mais você investe, você ganha né? CN – Em off você dizia que era um desejo seu seguir a vida de
travesti e sonhava em ganhar muito dinheiro, mas o foco não era você? CG – Sim. Tinha vontade de estar naquela vida, alcancei o meu
objetivo, comecei me estabilizar, aluguei casa, fui morar em bairro
perigoso, fui assaltado, estuprado, tudo sofrimento, mas achava bom e
não pensava em voltar para casa porque achava que dias melhores ainda
viria, continuei fazendo minhas economias e primeiro comprei uma casa
pra minha mãe, aliás ela tinha uma pequena parte e eu coloquei a parte
maior e conseguimos comprar a casa pra ela aqui (Coité). Sempre foi meu
foco a família, porque tem muita gente que quando cai nessa vida
abandona tudo. CN – A vida começou a melhorar pra você. Com um poder aquisitivo melhor você também mudou de bairro e percebeu boa evolução?
Clecio confessa que não vê a hora de encontra logo a sua alma gemea
Isso mesmo. Mudei para o bairro Pituaçu, conheci um rapaz que
mesmo tendo os relacionamentos até então nunca tinha morado com ninguém,
estando com ele recebi uma proposta para ir pra Itália, isso já em
2003. O convite recebi na segunda-feira, para viajar na quinta e uma
travesti era quem intermediava a viagem e cobrava doze mil euros,
(aproximadamente 50 mil reais hoje) ai como eu tinha aquele desejo de
ir, ter uma casa, ter um carro, melhorar de vida, colocar peito… Ai fui,
passei seis meses na Itália ganhando dinheiro, mas sofrendo muito, fui
preso três vezes, no frio, porque a prostituição lá é ilegal. Mas já
estava lá tive que encarar a aventura de prisão, humilhação, mesmo assim
no meu retorno consegui comprar uma casa pra mim, dei outra casa pra
minha mãe, paguei uma dívida de pouco mais de R$ 40 mil, eu ganhei muito
dinheiro. Retornei para a Itália porque queria comprar um carro, o
sofrimento foi maior que a primeira vez. A prisão na primeira vez foi de
três dias e na segunda mais de um mês, mas conseguir trazer o dinheiro
do carro e botar os seios. Fui pela terceira vez, e digo que sofrimento
cada vez pior pela minha reincidência perante a justiça. Porque é assim,
você recebe um visto de turista, com prazo determinado, mas se você se
prostitui o visto se torna inválido, Para Europa fui duas vezes para
Barcelona na Espanha, o sofrimento não é diferente, e por incrível que
pareça a perseguição maior é dos travestis, inclusive apoiei muitos e
foram infiéis a mim depois. CN – Quem vive nesse mundo naturalmente nunca está livre da droga, você fez uso? CG – Eu cheguei a usar apenas cocaína, mas não considero ter
abusado nem me viciado. Mas bebia em festas, fazia uso de droga até para
cumprir o ofício do trabalho com o cliente. CN – E a violência, você mais que ninguém sabe e é vítima da homofobia, é tão grande como a mídia fala. Porque essa violência? CG – Passei por muitas situações e vi muitas travestis morrerem,
tive revólver na minha cabeça, faca apontada no meu pescoço, foram
muitas as vezes que passei pelo vale da morte e também presenciei. Mas
eu sempre tive Deus comigo mesmo eu estando no erro. A maioria dos
travestis se marginaliza e na prostituição faz uso exagerado de droga,
ambiciosas querem assaltar os clientes, combina o valor depois diz que é
outro, começam procurar problema, porque sabem que o homem em geral é
casado e não quer escândalo, quem procura o travesti, na grande maioria
são homens que têm família, então acaba acontecendo a chantagem, ele não
vai aceitar ser escandalizado, se foi combinado duzentos reais e ela
diz que é mil reais, ai ou ele paga o mil para ela não escandalizar ou
pode acontecer algo né? Muitas já morreram por isso. Inclusive eu tinha
uma página em um site voltado para o pornô em Salvador, um dos mais
procurados da cidade, tinha o nome artístico de Paulinha Lins uma das
mais requisitadas no site, e eu via a violência na rua. CN – Clécio como surgiu essa ideia de jogar tudo pra o alto depois de ter vivido mais da metade de sua vida na homossexualidade? CG – Força em Jesus. Fui me transformando a cada dia, naquele
tempo eu não tinha a consciência que um dia eu ia estar como estou hoje
né, as pessoas quando estão numa boa esquecem de Deus, e quando vem se
voltar pra Deus é na dificuldade, enfermidade, perda dos bens, mas temos
que saber que devemos buscar Deus a todo tempo. Eu tinha convicção de
uma coisa: Deus fez o homem e a mulher, eu tinha o desejo, tinha as
práticas, e as pessoas me perguntavam se eu pensava em fazer a cirurgia
de mudança de sexo, eu dizia não. A gente já aflige tanta coisa de Deus,
mesmo convicto que eu tinha o papel de mulher na minha relação, mas
nunca pensei em mudar de sexo, até porque seria muita agressão a obra de
Deus, sabia do pecado que já vinha cometendo, imagina tirando meu
membro. CN – Devido a esse seu comportamento de mesmo estando em
plena perdição como prevê os religiosos, você encontrava tempo para
refletir e passar mensagens de otimismo as pessoas de seu convívio? CG – Os travestis me chamavam de pastora, porque eu falava muito
de Deus para eles. Eu aconselhava e ajudava muito as pessoas usado por
Deus. Falava em filho, eu amo criança, e dizia que tinha vontade de ter
um filho, as pessoas diziam, mas como você vai ter um filho, elas não
entendiam que não era como mãe já que era impossível e sim pelo lado de
homem que sou, falavam adote, eu dizia: não só se for do meu sangue em
uma relação com uma mulher. E um detalhe, na minha fase de travesti
cheguei a me relacionar com mulher também. Eu era diferente, homossexual
costuma dizer que tem nojo de mulher e eu nunca sentir esse problema,
não via uma mulher bonitona minha concorrente. CN – Então, como você chegou à conclusão que não mais valia a pena prosseguir na vida homossexual? CG – Fui cansando de tudo. Tudo que você possa imaginar eu vivi
de curtição, ai começou a cair a ficha e passei a compreender que tudo
aquilo estava me fazendo mal e eu queria uma vida de verdade. Perdi meu
irmão para o câncer e eu que sempre fui próximo a minha família,
procurei me aproximar ainda mais. Por outro lado não estava agradando a
Deus, se ele fez o homem sua imagem e semelhança e eu estava agindo
contrário e ele não estava satisfeito. CN – Você então entendeu que para deixar a vida mundana a opção seria procurar uma igreja evangélica? CG – Minha irmã me falou de um programa de televisão apresentado
por um apóstolo a cerca de 3 anos, fiquei curioso até que assistir e
passei a acompanhar, Valdomiro Santiago pela Igreja Mundial ai pela
televisão eu repetia todos os gestos e orava, comecei pedi a Deus para
mudar minha vida, e passei a seguir e o mais curioso é que tudo passou a
dar errado em minha vida, eu até entendi, se eu pedia a Deus para mudar
a minha vida então ele passou a mudar me tirando da prostituição, como
minha vida boa era aquela, passei ter dificuldades, mas ainda assim
ficava em cima do muro, buscava a Deus, mas continuava a sair para
baladas, tive um grave acidente na Paralela, e sei que quem me salvou
foi o Senhor, pois mesmo no erro eu clamava sempre por ele, Deus me
mostrava as coisas e acontecia. Depois que passei a buscar o caminho
certo desviei muito, mas quando chegava em casa batia a sensação de
arrependimento e passava a chorar e tive vontade me suicidar. CN – Nessa fase de mudança em sua vida qual foi seu pior momento?
Maior parte do tempo Clécio passa na igreja em oração.
O dia que meu pai faleceu, eu tive que sair chorando para um
motel atender um casal, pois eu não tinha dinheiro para vim pra aqui
(Coité) bebi e usei droga, enquanto acontecia o velório do meu pai.
Naquela altura já fazia sem vontade, mas pela precisão, rompi
relacionamento, ai minha irmã mais uma vez me deu uma luz, me dizendo
que tinha uma igreja em Coité e tem uma pastora que é uma benção, ai eu
disse, então eu quero conhecer, mas tinha uma tentação, pois quando
planeja vim era uma briga lá (com companheiro) ele me xingava dizendo
que Deus não estava me ouvindo porque eu era travesti. Ai quando foi na
sexta-feira da paixão, que acabou de fazer um ano, em Salvador decidir
que iria para Coité e ele (companheiro) acabou me acompanhando, mas
tivemos mais uma briga, no dia seguinte, já em Coité no sábado de
Aleluia, a vontade era conhecer a igreja Tabernáculo de Deus, da pastora
Conceição, foi mais uma briga. Visitei a igreja, fiquei sentado em uma
cadeira no fundo, ai a pastora disse “ essa loira que está ai, pode vim
aqui na frente? Fui e me perguntou se estava tudo bem comigo, eu disse
que sim, e ela disse que não, nada estava bem pra mim e passou a contar
tudo sobre minha vida, depois orou por mim e pediu para me dar um
abraço, e a partir daquele abraço senti que Deus agiu ali. Gostei e
ainda assim desviava, pois precisava sobreviver, não tinha uma profissão
pra me manter, então tinha que me prostituir, eu tinha plano de me
converter, mas me perguntava, Clecio tu vai viver de que? CN – E seu companheiro, não aceitava sua decisão, como foi a sua vinda para Coité, ele te acompanhou?
CG – Sim, ele veio, mas já estávamos de relação acabada,
convivemos 14 anos, passei então a tentar salvar a alma dele também e
hoje está na igreja como um irmão em Cristo e mais nada, nem minha casa
frequenta e sonha também encontrar uma pessoa. CN – Então você ficou em definitivo em Coité, aceitou a Jesus e está firme a um ano e não mais se prostituiu? CG – Para não mentir antes de aceitar me prostituir duas vezes,
pois tinha como profissão, pois na minha mente o pensamento, de não
aceitar porque tinha deptos a pagar e sabia que só quitaria recebendo
dinheiro da prostituição, mas confesso que Deus me queria ao lado dele,
pois perdi vontade de conviver com uma pessoa do mesmo sexo depois de 14
anos, e só queria estar na igreja, ai parei completamente de me
prostituir e minhas dividias ficaram se acumulando e eu aceitei Jesus e
entreguei tudo nas mãos dele. CN – tudo isso que você narra em relação a igreja você mantinha o aspecto de travesti até antes de aceitar Jesus? CG – Sim, visitava a igreja com peito, cabelos compridos, salto
alto, mas o curioso que os pés começaram a doer, não doía nas baladas,
mas na igreja não conseguia ficar calçado, era o espírito santo
incomodando. Caía toda vez que recebia oração, e ali eu sabia que era
Deus expulsando as coisas ruins que eu carregava nas costas. CN – Agora que você está praticamente liberto da homossexualidade, como você encara a classe? CG – Amo a todos, quero ser amigo de todos, poder abraçar e
passar a obra da parte de Deus e que ele venha a fazer o que fez em
minha vida, para que sejam felizes de verdade, pois a felicidade
verdadeira estou vivendo agora e desejo que todos que seguem o caminho
que eu segui, possa abandonar e aceitar Jesus para ele fazer a
transformação. CN – Como as pessoas encaram você fora de igreja? CG – Com desconfiança, muita gente dizia que eu estava deprimido,
que não iria conseguir me manter homem, todo tipo de desconfiança, e
ainda permanece viu, até pessoas da minha família estão descrentes em
minha mudança de vida, mas só o tempo irá mostrar que a decisão não foi
só minha, Deus que é poderoso é quem está me dando essa força, sei que
sou frágil, mas estou encontrado força no senhor e ele sabe que meu
desejo é mudar e fazer valer o que ele fez sua Imagem e semelhança.
Estou com muita vontade de encontrar uma pessoa para me casar, mas deixo
isso também pela vontade de Deus, pois peço que me dê uma pessoa certa,
que entenda meu passado, que seja do evangelho para não prejudicar
minha vida espiritual, que possa me dar dois filhos. CN – E hoje, cabelos cortados, peitos retirados, sapato masculino, roupa social é sua nova rotina? CG – Sim, preparado para encontrar uma companheira e me casar
ainda este ano e quero o Calila registrando tudo e mostrando minha
verdadeira felicidade, pois sou feliz hoje. Tudo que vivi foi uma
felicidade superficial e aqueles que estão esperando que eu tenha uma
recaída que espere, mas vão ver minha vitória, pois que me tirou daquela
vida não foi nenhum homem nem mulher, foi Deus, então o que ele faz,
ninguém desfaz, porque o que ele fez é pra glorificar o seu nome. E aqui
quero agradecer a pastora Conceição e o pastor Everton e o pessoal da
igreja pela carinho que têm por mim, o cuidado, a ajuda em oração, as
primeiras roupas de homem, as primeiras cuecas que usei foram os crentes
que me deram, que eu não tinha condições, isso uma semana depois que
tirei tudo em mim que lembrava mulher. CN – Vamos agora falar da função de homem, responsabilidade
que você nunca teve. Você sabe que na pratica o homem precisa manter a
mulher, você não estudou e só ganhou dinheiro na prostituição. E agora, o
que você vai fazer em termo de trabalho? CG – O crente costuma dizer que vive pela fé, então hoje eu vivo
pela fé, sei que o prover é de Deus, o dono de todas as coisas, do ouro,
da prata, e ele vai mostrar algo pra mim, pois sei que ele não me tirou
dali para deixar padecer, ele tem o melhor para gente, então eu creio
que nisso tudo ele já está trabalhando, até restaurante eu trabalho,
tenho noção de cozinha, irei com todo prazer e dedicação, ciente que vou
em busca do pão, para levar para alimentar minha esposa e meus dois
filhos, Deus vai honrar e não vai querer me envergonhar, então o que
vier pra mim vou encarar que foi algo escolhido por Ele. CN – DST/Aids. Você esteve numa função bastante vulnerável em
relação a doenças sexualmente transmissíveis, você assegura que não
contraiu nenhuma delas? Graças a Deus sim, estou bem. Precisei fazer exames antes da
retirada dos seios, e foi exigido uma bateria de exames, solicitado por
um médico coiteense, inclusive de AIDS e não foi encontrado
nada.(Finalizou) Clecio foi entrevistado por Raimundo Mascarenhas que também o fotografou. Algumas fotos são do seu próprio arquivo. Fonte: Calila Noticias