— Estamos bastante animados com a possibilidade de observar o asteroide com telescópios — conta Alexandre Cherman, astrônomo da Fundação Planetário do Rio. — Ele vai passar a uma distância que é ridiculamente pequena em termos astronômicos e recorde na astronomia moderna.
Impacto provocaria devastação local
Segundo Cherman, o fato de o 2012 DA14 ter sido detectado há um ano e sua órbita já ter sido calculada com tamanha precisão é uma mostra da evolução de nossa capacidade de rastrear este tipo de objeto, mesmo os menores deles. Apesar do tamanho reduzido, caso estivesse em rota de colisão com o planeta, o asteroide poderia causar estragos consideráveis, que dependeriam de sua composição, velocidade, ângulo e local de impacto. Em 1908, um objeto de dimensões semelhantes teria explodido no céu sobre a desabitada região de Tunguska, na Sibéria, com uma força estimada em 2,5 megatons, o equivalente a uma bomba termonuclear de médio porte, derrubando ou destruindo 80 milhões de árvores em uma área de aproximadamente 2 mil quilômetros quadrados. Não seria um evento global como o do asteroide que, se acredita, exterminou os dinossauros. Este tinha entre três e oito quilômetros de diâmetro e liberou a energia de milhares de bombas nucleares. Mas seria mais do que suficiente para devastar uma grande cidade, deixando um rastro de milhões de mortos.
— Um objeto deste tamanho atinge a Terra uma vez a cada 100 ou 120 anos, então estatisticamente já estamos passando da hora — lembra Cherman. — Mas como 75% da superfície da Terra são de água, o mais provável é que ele caísse sobre um oceano. E mesmo que atingisse o solo, seria uma explosão considerável, mas com uma devastação muito localizada.
Segundo o astrônomo do Planetário, será difícil observar a passagem do asteroide no céu do Rio devido a sua trajetória. Apesar de os cálculos indicarem que ele vai chegar a uma magnitude entre 7 e 8, brilhante o bastante para ser visto com um binóculo, o horário da aproximação máxima (17h30) e sua rota, entrando na sombra do planeta, vão escondê-lo dos olhos dos cariocas. O 2012 DA14, porém, deverá voltar a se aproximar em 2020, quando novamente passará a uma distância inferior à da Lua e sem risco de colisão.
Estratégias de sobrevivência
Caso o 2012 DA14 estivesse em rota de colisão com a Terra, o conhecimento prévio de sua existência e trajetória permitiriam à Humanidade tomar medidas para evitar seus estragos. E para isso não precisaríamos chamar o Bruce Willis. Segundo o astrônomo Alexandre Cherman, por ser relativamente pequeno, o asteroide poderia ser destruído ainda no espaço por um míssil nuclear comum.
— É só calcular posição e rota exatas e mandar bomba. Isso daria conta do recado — afirmou Cherman.
O mesmo, no entanto, não poderia ser feito com objetos maiores, como o Apophis, uma rocha de cerca de 270 metros de diâmetro que deverá chegar a menos de 36 mil quilômetros do planeta em 2029, e muito menos com um eventual gigante como o que exterminou os dinossauros, que estimavas apontam colidir com o planeta a cada 100 milhões de anos. Isso porque o míssil poderia simplesmente parti-los em vários asteroides menores, mas ainda com tamanho suficiente para causar grandes estragos, efetivamente transformando uma ameaça em muitas.
— Caso soubéssemos com antecedência, o melhor, neste caso, seria provocar algum pequeno desvio na sua trajetória de forma que ele “errasse” o planeta. Bastaria muito pouco para tirá-lo da rota de colisão, e depois era só deixar a gravidade atuar — conta Cherman.
E são muitas as opções em estudo para desviar o asteroide. A primeira, que deverá ser testada pela Agência Espacial Europeia (ESA) em 2020, prevê uma ação cinética, com uma nave sendo enviada para se chocar com o asteroide e assim dar um pequeno empurrão nele, tirando-o da rota de colisão com a Terra. Outras envolvem os chamados “rebocadores gravitacionais”, naves colocadas em órbita dos asteroides que aos poucos alteram sua trajetória, e as velas espaciais, que usariam a força do vento solar com a mesma finalidade. E também há ideias menos ortodoxas, como a de pintar o asteroide de branco e aumentar sua reflexividade, aumentando em consequência a força exercida sobre ele
pela luz solar e, mais uma vez, mudando sua rota.
Fonte: Extra